Quando comecei a tomar medicação, percebi que a atenção não era o único desafio.

Mesmo quando consigo focar-me melhor, continuam a existir grandes dificuldades na gestão do tempo, no planeamento e na definição de prioridades. Por muita vontade que tenha para fazer algo — mesmo com fontes de motivação — transformar essa intenção em ação no momento certo é um dos maiores desafios que enfrento. Para mim, o tempo funciona de forma muito simples: só existem o “agora” e o “não agora”. E o “não agora” acaba, muitas vezes, esquecido. Por isso, tenho de criar constantemente estratégias para conseguir cumprir tarefas básicas: entregar trabalhos a tempo, aparecer nas aulas, ou até ir dormir a horas “decentes”.

Esta gestão do tempo é, além disso, crítica nos exames e, por vezes, não tenho tempo para passar a resolução do rascunho para a folha de exame; já perdi alguns pontos por causa deste problema. Quando os exames são de manhã cedo (8:00 ou 8:30) , esta dificuldade de gestão do tempo começa muito antes de me sentar para fazer a prova, sobretudo por causa da medicação e da minha dificuldade em adormecer. A medicação, para além de demorar entre uma a duas horas a fazer efeito, retira-me totalmente o apetite: enquanto o efeito dura, não consigo comer.

Para lidar com isso, passei a almoçar na hora do pequeno-almoço, antes de tomar a medicação. A segunda refeição faço apenas ao jantar. Durante o dia, coloco alarmes para me lembrar de beber água e de comer alguma coisa. Pode parecer uma alteração simples, mas não é: exige uma organização constante. Assim, se tiver um exame cedo, tenho de acordar pelo menos duas horas antes para preparar e comer o almoço, tomar a medicação e organizar-me para sair, garantindo que o efeito coincide com o início da prova.

A solução para isto poderia passar por adormecer mais cedo — mas isso também é um problema. Tenho muita dificuldade em adormecer porque o meu cérebro não pára de saltar de um pensamento para outro, algo comum em muitas pessoas com PHDA.

Conciliar toda esta logística com poucas horas de sono torna chegar a um exame bem descansado um desafio enorme. Estas são algumas das razões para estudantes como eu serem muito prejudicados nos exames de manhã cedo.

Apesar destas dificuldades, não foi nada fácil aceitar a ideia de pedir o estatuto de estudante com necessidades específicas. O meu médico tranquilizou-me; disse-me que era mais do que justo. Quando se tem uma perna partida ou algo do género vê-se; quando não se vê nada, as pessoas desconfiam e sentem que estamos a ser beneficiados em relação aos outros. Acreditem que não!

Finalmente, queria transmitir que não é meu desejo incomodar os professores que dedicam mais tempo aos exames em que participo. Agradeço-lhes por ficarem comigo na sala para eu poder ter mais tempo para acabar o exame. Muito obrigado!

O Estudante
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Esta mensagem é a continuação da mensagem anterior “Ter PHDA é como ver televisão enquanto alguém indeciso tem o comando“. Ler reflexão sobre a mensagem anterior em “Uma reflexão pessoal