No próximo dia 16 de abril será atribuído na Conferment Ceremony 2026 mais um Prémio Carreira FEUP ao Engº Jorge Vasconcelos*, administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian.

As sete anteriores edições deste Prémio foram conquistadas por José Manuel Fernandes (2024), João Oliveira Cortez (2023), António Mota (2022), Carlos Moreira da Silva (2021), João Serrenho (2020), António Segadães Madeira Tavares (2019) e Luís Valente de Oliveira (2018).

* Nasceu no Porto, em 1959, onde viveu e estudou até 1982. Nesse ano, licenciou-se em engenharia electrotécnica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com 17 valores, tendo recebido os prémios  “Eng. Cristiano Spratley” e “Siemens Portuguesa”.

Graças a uma bolsa de estudo do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Académico) doutorou-se na Universidade de Erlangen-Nuremberga, em 1985, com uma tese sobre a aplicação de multiprocessadores à simulação de fenómenos transitórios em sistemas eléctricos de energia.

Seguiu-se uma experiência na indústria, entre 1986 e 1989, tendo sido então responsável pelo desenvolvimento de simulação dinâmica de sistemas eléctricos na AEG, em Frankfurt-am-Main.

Atraído pelo processo da construção europeia, rumou de seguida a Bruxelas, onde trabalhou, entre 1989 e 1996, como secretário-geral adjunto da recém criada associação da indústria eléctrica europeia (Eurelectric). Nessa função, acompanhou de perto o início da liberalização da energia na Europa e nos Estados Unidos da América, assim como a interligação dos países da Europa Central e Oriental com a rede ocidental.

Em 1996, foi convidado pelo Governo português para presidir a Comissão Instaladora da Entidade Reguladora do Sector Eléctrico, tendo presidido esta mesma entidade desde a sua criação, em Fevereiro de 1997, até Dezembro de 2006. Em 2002 o âmbito de actuação da ERSE foi alargado às Regiões Autónomas e ao sector do gás natural.  Enquanto presidente da ERSE, promoveu a cooperação nacional e internacional entre reguladores, tendo sido o primeiro presidente do Conselho dos Reguladores Europeus de Energia (CEER), entre 2000 e 2005, cofundador e copresidente da Mesa Redonda de Reguladores de Energia UE/EUA e cofundador da Associação Ibero-Americana de Entidades Reguladoras de Energia (ARIAE). Promoveu também a cooperação entre reguladores e academia, nomeadamente como cofundador do Centro de Estudos de Direito Público e Regulação (CEDIPRE), com a Universidade de Coimbra, e fundador da Escola de Regulação de Florença, com o Instituto Universitário Europeu.

Em Janeiro de 2007 criou a empresa NEWES, New Energy Solutions, Lda., que preside, activa em projectos de energia renovável, eficiência energética e digitalização da energia em vários países europeus, também em parceria com outras empresas. Além de ser um veículo de investimento nestas áreas, a NEWES tem proporcionado também consultadoria estratégica a numerosos governos, reguladores, empresas e organizações internacionais, destacando-se o Banco Mundial e a Comissão Europeia. A título pessoal, foi conselheiro especial de dois presidentes da Comissão Europeia e de um comissário; participou em várias audições públicas organizadas pelo Parlamento Europeu; foi membro do conselho de administração da Agência de Cooperação dos Reguladores de Energia (ACER), nomeado pelo Parlamento Europeu, entre 2010 e 2018; integrou e integra numerosos conselhos consultivos e conselhos de supervisão de empresas, institutos de investigação (tais como oHarvard Environmental Economics Program, o Institute for Advanced Sustainability Studies, em Potsdam, e o INESCTEC) e associações internacionais (p. ex. EDSO – European Distribution System Operators e ENTSO-E – European Network of Transmission System Operators for Electricity); promoveu a criação de várias associações científicas, tais como a Associação Portuguesa de Economia da Energia (APEEN), de que foi o primeiro presidente, entre 2015 e 2018,  a Associação Portuguesa do Direito da Energia (APDEN), a cuja Assembleia Geral preside desde a fundação, em 2017, e a Federação Europeia de Associações do Direito da Energia (EFELA), de que é presidente honorário. Entre 2012 e 2016 presidiu a Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico. Presidiu a Comissão para a Reforma da Fiscalidade Verde, criada pelo Governo em 2014, e preside actualmente a Comissão para o reforço da Independência das Entidades Reguladoras, criada pelo Governo em 2025.

Em 2022  foi cooptado pelo conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian como membro não executivo, tendo assumido funções executivas em Dezembro de 2025. Nessa qualidade, integra o conselho de administração do Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular.

A sua actividade académica iniciou-se como monitor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, durante o último ano da licenciatura, e atravessou múltiplas universidades, nacionais e estrangeiras, sendo actualmente professor convidado na Universidade de Economia de Viena e no Instituto Universitário Europeu. Colaborou, como supervisor, em vários projectos europeus de investigação.

É autor de várias publicações de carácter científico, de divulgação técnica e de intervenção cívica, escritas em português, inglês, alemão, italiano e francês. O último livro foi publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2019, com o título “A energia em Portugal”. O relatório EU electricity reform, de 2022, contribuiu substancialmente para o início da reforma do mercado interno da electricidade ainda em curso.

É casado e pai de três filhos.