A sessão decorreu no passado dia 2 de julho e contou com a presença de Ana Paula Rocha, Vice-Presidente do Conselho Pedagógico da FEUP.

O programa, aprovado em outubro de 2024, incidiu sobretudo em quatro principais projetos: apoio ao estudo (ajudar na aprendizagem os estudantes socioeconomicamente desfavorecidos do Ensino Básico, Secundário ou Superior); literacia digital (apoiar utentes de centros e instituições de solidariedade social, de todas as faixas etárias, a tornarem-se mais aptos no uso da informática e dos meios digitais); apoio a eventos solidários (ajudar instituições, grupos, pessoas ou “causas”, através do apoio na organização e promoção de eventos solidários na FEUP que visem angariar receitas); e “Engenharia Repara” (contribuir para a melhoria das condições de vida de pessoas socioeconomicamente desfavorecidos, através da reparação ou da intervenção técnica em habitações).
Estiveram envolvidos 21 estudantes em colaboração com instituições parceiras que manifestaram interesse em aderir ao programa, a saber: AJUDARIS, Centro de Alojamento Social – D. Manuel Martins (Santa Casa da Misericórdia), Centro Juvenil de Campanhã, Lar de Nossa Senhora do Livramento e o GASPORTO (apoio a idosos).
O Comissariado Social da FEUP tem promovido, nos últimos anos, o voluntariado estudantil, principalmente através da sensibilização de grupos e núcleos de estudantes da Faculdade de Engenharia que têm prestado esse apoio em algumas instituições de cariz social. Os estudantes voluntários que tenham cumprido o mínimo de 40h de trabalho voluntário e tiveram uma avaliação mínima de “Bom”, têm reconhecimento da atividade voluntária realizada, por menção em suplemento ao diploma.
Rui Malheiro é estudante do 2º ano do mestrado em Engenharia do Ambiente, lidera o departamento de Sustentabilidade e Ação Social do Núcleo de Estudantes de Engenharia do Ambiente – NEEA. Participou em ações de voluntariado na associação Ajudaris, no Porto. “Esta experiência permitiu-me desenvolver uma sensibilidade muito maior pelas crianças, compreendendo que as suas necessidades vão muito para além do apoio escolar, pois muitos carregam consigo desafios sociais e familiares complexos”. O ambiente que encontrou na Ajudaris foi essencial para criar uma ligação forte com a causa e, em vez de uma vez por semana, passou a dedicar mais horas ao projeto “pela vontade genuína de ajudar e pelo prazer de estar com as crianças, que também me divertiam e melhoravam o meu dia”, admite o estudante de Engenharia do Ambiente.
“Este voluntariado foi, sem dúvida, um enriquecimento pessoal e profissional. Reforçou-me a consciência dos problemas sociais que existem e continuam a desafiar a nossa sociedade, e destacou o papel essencial de cada voluntário que se dispõe a ajudar, mesmo que o contributo pareça diminuto”, continua Rui Malheiro. “Continuarei a fazer voluntariado, certamente na Ajudaris”, remata.
Quem também recomenda vivamente a experiência de voluntariado é Duarte Assunção, da licenciatura em Engenharia Informática. Participou no projeto de voluntariado de literacia digital, que decorreu no Centro de Alojamento Social D. Manuel Martins (Santa Casa da Misericórdia do Porto), “um dos locais que trabalha diretamente com a Segurança Social para acolher temporariamente pessoas que não tenham onde morar no momento, seja por despejo, por incêndio, etc.”, afirma Duarte.
O objetivo do projeto era ensinar as pessoas a usar ferramentas digitais que lhes facilitassem o dia-a-dia: como procurar quarto para alugar, fazer currículos, cartas de motivação, ou até ensinar alguém a usar um computador pela primeira vez.
“Tive contacto com todo o tipo de pessoas: desde pessoas com curso superior a toxicodependentes, pessoas que fugiram de contextos de violência doméstica, imigrantes, ex-presos que estão a reintegrar-se na sociedade”, continua o estudante. “Lembro-me que uma vez faltou a internet nos computadores e tive que usar o meu telemóvel pessoal para ajudar um utente a procurar casa. E os próprios computadores da instituição eram bastante antigos, o que acabava por atrasar o trabalho que fazíamos”, recorda.
E foi depois de um dia destes que surgiu a ideia de propor que os computadores que já não estivessem a uso na faculdade, pudessem ser utilizados no centro de acolhimento. Com o apoio do Comissariado de Responsabilidade Social da FEUP e a intervenção da Marisa Silva foi possível doar estes equipamentos e contribuir para uma renovação que há muito era necessária.
“Todos os colaboradores com quem interagi foram sempre muito atenciosos, proporcionaram-me um bom ambiente para o voluntariado, o que contribuiu para que a experiência fosse ainda mais gratificante. Além do mais, o contacto com pessoas com realidade completamente diferente da minha fez-me refletir sobre a importância dos ambientes onde crescemos e somos educados naquilo em que nos tornamos no futuro”, remata Duarte Assunção. “Se formos criados num meio que nos incentiva a ir mais além, teremos a vida muito mais facilitada do que aqueles que foram criados em meios sem ambição.”
Notícia retirada de Notícias UP