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A evolução e o PHDA

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Numa publicação recente neste blog, partillhamos uma Reflexão para Famílias e Professores, pelo que recomendamos ao leitor uma leitura atenta dessa publicação antes de prosseguir.

De facto, as famílias confrontadas com a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) nos seus filhos ou filhas passam, muitas vezes, por situações desesperantes para as quais não têm explicação.

No meio de toda esta incompreensão, será eventualmente reconfortante descobrir que a PHDA tem raízes muito profundas e que está com a Humanidade desde tempos imemoriais.

Por este motivo, gostaríamos de partilhar esta publicação do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Columbia, que coloca em evidência o que é que a investigação diz sobre o PHDA ao longo dos tempos (este texto é a tradução do texto original disponível neste link a 19/março/2026):

Texto tradução do original publicado nesta ligação no Departamento de Psiquiatria da Universidade de Columbia:

Contexto Histórico e Traços Adaptativos
No contexto das sociedades de caçadores-recoletores, os traços associados à Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) — nomeadamente a procura de novidade, a impulsividade e um estado acrescido de alerta — provavelmente proporcionavam vantagens adaptativas significativas. Esta inclinação inerente para a exploração teria levado os indivíduos a descobrir recursos vitais, como alimento e abrigo, essenciais para a sobrevivência e prosperidade das suas comunidades.
A impulsividade e a rápida capacidade de adaptação observadas nas pessoas com PHDA, frequentemente vistas como desvantagens nos ambientes estruturados da atualidade, poderão ter permitido uma tomada de decisão rápida e uma ação imediata em contextos onde esta capacidade de resposta era crucial para evitar predadores ou aproveitar oportunidades passageiras.
Além disso, a capacidade de mudar rapidamente o foco da atenção teria sido vantajosa na gestão das exigências variadas e imediatas de um estilo de vida nómada, aumentando a eficiência da utilização de recursos e da navegação no ambiente.
Analisar a PHDA através desta perspetiva evolutiva sugere que os traços atualmente associados a esta condição podem ter sido altamente benéficos nos ambientes imprevisíveis e caracterizados pela escassez de recursos dos nossos antepassados, destacando uma profunda base evolutiva para estes comportamentos que, em tempos, contribuíram significativamente para a adaptação e sobrevivência humanas.
A Perspetiva Genética e Neurobiológica
A persistência dos traços da PHDA ao longo das gerações, evidenciada por uma forte componente genética, sugere os seus potenciais benefícios evolutivos. Esta transmissão genética sugere que, em algum momento, estes traços conferiram uma vantagem em termos de sobrevivência ou reprodução.
As diferenças neurobiológicas nos indivíduos com PHDA, particularmente em áreas do cérebro relacionadas com a atenção, a função executiva e o controlo dos impulsos, reforçam ainda mais a ideia de que estes traços têm raízes evolutivas profundas. Estas diferenças podem refletir pressões evolutivas que favoreceram determinados estilos cognitivos e comportamentos, que outrora foram benéficos num mundo mais imprevisível e fisicamente exigente.
A Teoria do Desajuste
Um conceito fundamental da psiquiatria evolutiva é a teoria do desajuste, que defende que muitas perturbações psicológicas modernas resultam de uma discrepância entre os ambientes para os quais as nossas adaptações evolutivas foram selecionadas e as condições de vida atuais. Para os indivíduos com PHDA, os ambientes estruturados e sedentários da vida contemporânea, como as escolas e os trabalhos de escritório, podem ser particularmente desafiantes.
Esta teoria realça a forma como as exigências da sociedade moderna podem agravar as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com PHDA, sugerindo que estes desafios não são apenas intrínsecos ao indivíduo, mas também um produto do ambiente em que vive.
Adaptações e Implicações Modernas
Apesar dos desafios colocados pela PHDA em contextos convencionais, esta condição não está isenta de vantagens. Muitas pessoas com PHDA demonstram uma criatividade notável, a capacidade de pensar de forma inovadora e elevados níveis de energia. Estas características podem ser extremamente benéficas em determinados contextos, como em profissões criativas, no empreendedorismo e em áreas que exigem pensamento fora dos padrões convencionais.
A capacidade de hiperfoco em tarefas de grande interesse é outro exemplo de como os traços associados à PHDA podem ser vantajosos, sublinhando a natureza complexa da PHDA e o impacto diversificado que pode ter na vida das pessoas.
Uma Compreensão Abrangente da PHDA
A psiquiatria evolutiva fornece um enquadramento abrangente para compreender a PHDA, destacando a complexidade desta condição e as suas raízes na história evolutiva humana. Ao reconhecer que os traços associados à PHDA poderão ter sido, em tempos, respostas adaptativas a desafios ambientais, podemos promover uma abordagem mais empática e diferenciada à gestão da PHDA no mundo contemporâneo.
Esta perspetiva encoraja-nos a considerar de que forma alterações no nosso ambiente e estilo de vida poderão ajudar a mitigar os desafios enfrentados pelas pessoas com PHDA, promovendo uma sociedade que reconhece e valoriza a diversidade de estilos cognitivos e comportamentais.

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